Entrevista à Folha de São Paulo

Assunto: acidentes com arma de fogo

Assunto: acidentes com arma de fogo

FOLHA DE S. PAULO: Uma criança é internada a cada 3,5 dias no Brasil por acidentes com armas de fogo em casa. Especialistas se preocupam de que o decreto que facilitou o acesso à posse (e as projetos de lei nesse sentido) aumentem o número de acidentes. Como o senhor se posiciona em relação a isso?

DEPUTADO PENINHA: Sempre que algo de ruim acontece a uma criança, nosso coração se aperta. É inevitável se sensibilizar. Mas leis não podem ser feitas ou desfeitas com base na emoção.

Num país com dimensões continentais, 200 milhões de habitantes e 60 mil homicídios por ano, a internação de 150 crianças supostamente vítimas de acidentes com armas não pode servir de argumento para impedir que as pessoas tenham acesso ao meio mais eficaz para defender as suas vidas, famílias e patrimônio.

Foi sob a égide de uma legislação desarmamentista que alcançamos o topo do ranking de assassinatos em todo o mundo. Permanecer no erro será burrice. Pior: seremos cúmplices, se nada fizermos.

Quantas crianças são salvas da morte todos os dias graças aos pais que, com uma arma em punho, afugentam, baleiam ou abatem o algoz?! Casos assim, mais comuns do que se imagina, dificilmente vão parar nas páginas dos jornais.

Além disso, onde está a garantia de que as crianças internadas são, de fato, vítimas de acidentes? O que ocorre em muitos casos são tiros propositais nos quais o autor utiliza-se do suposto acidente como escapatória.

Até qual idade uma pessoa ainda é criança? Ladrões, traficantes e homicidas de 12, 13 ou 14 anos, atingidos em decorrência de suas ações, podem tranquilamente engrossar estas estatísticas.

Ainda assim, acidentes acontecem. Com carros, pranchas, escadas, armas e tudo mais que possa nos vir à mente. Os números, contudo, são tão baixos, que sequer aparecem em estatísticas sérias. Vedar o acesso às armas, embasando-se em exceções, não é o melhor caminho.

Com permissões ou proibições do governo, as armas de fogo continuarão em circulação. Investir em educação, com a conscientização de seus detentores, certamente terá um efeito melhor do impedir as pessoas honestas de possuírem armas legais.